Emagrecimento: por que comer menos nem sempre resolve?

Muitas pessoas fazem grandes esforços para emagrecer: reduzem a alimentação, começam a praticar exercícios e, mesmo assim, não conseguem os resultados desejados.

Durante décadas, acreditou-se que emagrecer era apenas uma questão matemática: comer menos calorias e gastar mais energia. No entanto, hoje já se sabe que o processo é muito mais complexo.

Isso acontece porque o peso corporal depende de vários fatores que trabalham de forma integrada, como o sistema hormonal, o metabolismo, o estado inflamatório do organismo e até mesmo a saúde do intestino. Dessa forma, quando algum desses sistemas está desregulado, emagrecer se torna muito mais difícil.

O IMC nem sempre mostra a realidade

Muitas pessoas utilizam o Índice de Massa Corporal (IMC) para avaliar se estão com sobrepeso. De fato, o cálculo é simples: basta dividir o peso pela altura ao quadrado.

No entanto, o IMC possui uma limitação importante: ele não diferencia gordura de massa muscular.

Por exemplo, uma pessoa pode ter peso elevado e ainda assim apresentar boa composição corporal. Por outro lado, alguém pode ter peso aparentemente normal, mas possuir excesso de gordura corporal.

Por isso, além do IMC, outros indicadores são importantes, como:

  • Circunferência abdominal
  • Percentual de gordura corporal
  • Distribuição da gordura no organismo

Além disso, é importante considerar que, especialmente nos homens, a gordura tende a se acumular na região abdominal e visceral, próxima aos órgãos internos. Consequentemente, isso aumenta os riscos metabólicos.

Inflamação e hormônios também influenciam o peso

A obesidade não é apenas uma questão estética. Na verdade, ela envolve diversos processos metabólicos importantes.

Isso ocorre porque a gordura visceral funciona como um órgão endócrino, capaz de produzir substâncias inflamatórias que alteram o equilíbrio hormonal do organismo.

Como consequência, esse processo pode interferir em hormônios fundamentais para o controle do peso, como:

  • Leptina – responsável pela saciedade
  • Insulina – controla o metabolismo da glicose
  • Cortisol – hormônio relacionado ao estresse

Quando ocorre resistência à leptina, por exemplo, o organismo perde a capacidade de perceber que já ingeriu energia suficiente. Dessa maneira, surge uma sensação constante de fome.

Resistência à insulina e ganho de gordura

Outro fator importante é a resistência à insulina.

Normalmente, a insulina atua como uma “chave” que permite a entrada da glicose nas células para produção de energia. Entretanto, quando existe resistência à insulina, essa glicose permanece circulando no sangue.

Para compensar essa situação, o organismo passa a produzir ainda mais insulina. Consequentemente, níveis elevados desse hormônio estimulam o armazenamento de gordura no corpo.

Assim, esse mecanismo ajuda a explicar por que dietas ricas em açúcares e carboidratos refinados podem favorecer o ganho de peso ao longo do tempo.

Metabolismo e tireoide: o acelerador do corpo

Além disso, o metabolismo também desempenha papel fundamental no controle do peso.

Os hormônios da tireoide funcionam como um verdadeiro acelerador do organismo. Quando estão equilibrados, o corpo gasta mais energia. Por outro lado, quando estão reduzidos, como ocorre no hipotireoidismo, o metabolismo desacelera.

Nesse cenário, o organismo passa a consumir menos energia. Como resultado, ocorre maior facilidade para o acúmulo de gordura, mesmo quando a ingestão alimentar não parece excessiva. 

Anew intestino

O intestino pode influenciar o emagrecimento

Nos últimos anos, pesquisas têm mostrado que a microbiota intestinal exerce forte influência no metabolismo.

O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam de funções importantes, como:

  • regulação da inflamação
  • controle da absorção de energia
  • produção de substâncias metabólicas
  • modulação da sensibilidade à insulina

Quando ocorre desequilíbrio dessas bactérias, situação conhecida como disbiose, pode surgir maior tendência ao ganho de peso. Por outro lado, quando a microbiota está equilibrada, ela pode contribuir para melhor metabolismo e menor acúmulo de gordura.

 

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O papel dos alimentos fermentados

Curiosamente, algumas culturas tradicionais, como a japonesa, apresentam consumo frequente de alimentos fermentados.

Produtos como missô, natto, shoyu fermentado e conservas naturais são ricos em bactérias benéficas e compostos produzidos durante o processo de fermentação.

Dessa forma, esses alimentos ajudam a nutrir e diversificar a microbiota intestinal. Consequentemente, podem contribuir para melhor digestão, redução da inflamação e equilíbrio metabólico.

Além disso, para pessoas que não consomem regularmente esse tipo de alimento no dia a dia, algumas estratégias nutricionais podem auxiliar no equilíbrio intestinal, incluindo o uso de alimentos fermentados concentrados que favorecem a saúde da microbiota.

O verdadeiro segredo do emagrecimento

Portanto, a grande mensagem é que emagrecer não deve ser o objetivo principal.

Na realidade, o foco deve ser recuperar o equilíbrio do organismo. Isso envolve melhorar a qualidade da alimentação, cuidar do metabolismo, reduzir inflamações e manter uma microbiota intestinal saudável.

Assim, quando o corpo volta ao equilíbrio, o emagrecimento passa a ser uma consequência natural de um organismo mais saudável.

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